sexta-feira, 6 de julho de 2012

Solidão a Dois


Um relacionamento sem diálogo é vazio, sem graça e sem cor.
Cada um fica no seu canto, no seu mundo particular.  Enquanto um assiste TV, ouve música ou navega pela internet, a outra pessoa fica pelo quarto, lendo um livro, escrevendo ou arrumando suas coisas. Existe entre os dois uma parede, algumas vezes de concreto, outras vezes invisível, intransponível.
Na hora de dormir, vão para a cama em horários diferentes. Não existe um beijo de boa noite, nem um beijo de bom dia. Beijos não existem, no máximo, um breve toque de lábios em horários pontuais, ao sair de casa para o trabalho e no retorno dele.
Sexo é esporádico. Quando acontece, é praticamente mecânico. Corpos que repetem movimentos registrados na mente. Sem paixão, fogo, desejo. Sem amor.
A vida a dois, vai se tornando chata, rotineira e cansativa.
Tão desgastante que levantar cedo para ir ao trabalho, se torna um ritual de alegria, principalmente quando pelo menos, no trabalho é possível sentir satisfação no que se faz.
Ocupar a cabeça com algo que realmente vale à pena renova a energia. Falar e ouvir alguém interessante, ir para a academia, fazer algum curso, são maneiras encontradas para suportar a volta para casa e enfrentar a realidade de monólogos, alguns breves diálogos, raros sorrisos e a luta intensa para não desistir.
Dúvidas e receios passam constantemente pelo pensamento. Ainda existe carinho, amor, companheirismo ou os sentimentos verdadeiros não passam de gratidão, amizade e respeito?
É sabido que só o amor não sustenta um relacionamento, mas e falta dele, é possível suportar?
O que prende duas pessoas por longos anos são tantos fatores que na maioria das vezes fica difícil tomar a atitude de encerrar a relação. Surgem os medos e temores, os costumes, as lembranças, a vida compartilhada.
Terminar um relacionamento nesses moldes é um ato de coragem, amor próprio e amor pelo outro. Por mais que gere dor e sofrimento, é mais digno e sensato resolver do que permanecer em um compromisso onde existe vazio, solidão e afastamento. A separação já aconteceu, no momento em que cada um resolveu ser individualista. Basta apenas ter consciência disso.

Adriana Scherner

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